Voltar
22 de Junho de 2020

“Não deve ser exigida testagem laboratorial para a Covid-19”, dizem portarias do governo


Escrito por: Fetquim


Fetquim
Legenda: Foto tirada antes da pandemia de Covid-19

“As portarias n°19, n °20 e n° 1565 publicadas na última quinta-feira (18/06) pelos Ministérios da Saúde, Agricultura e Economia com supostas medidas de prevenção à Covid-19 no ambiente de trabalho não têm a mínima intenção de proteger os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil”, avalia o secretário de Saúde e Condições de Trabalho da Fetquim, André Alves, dirigente dos Químicos Unificados de Campinas.

Na prática, as portarias só aliviam os cuidados e as medidas de prevenção que as empresas deveriam ter para com a sua força de trabalho, ignorando de propósito algumas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), como a testagem em massa.

“Lamentavelmente as portarias não garantem testagem laboratorial de Covid-19 para todos os trabalhadores e nem sequer nos ambientes onde houve comprovação de infectados, com a argumentação absurda de que não há embasamento técnico suficiente!", critica o assessor de Saúde e Segurança do Trabalho da Fetquim, Remígio Todeschini.

A Fetquim recomenda que seus sindicatos lutem pela realização de testes para a Covid-19 nos trabalhadores e trabalhadoras que estão na ativa, ainda que possam haver resultados falsos negativos e falsos positivos. "Os testes rápidos podem detectar pessoas com o vírus ativo e que ainda estão propagando ativamente o vírus e aquelas que foram recentemente contaminadas", lembra Remígio.

Outra afronta lagrante às recomendações da OMS diz respeito ao distanciamento das pessoas. A OMS recomenda o distanciamento mínimo de 1,5 metro, já as portarias do governo Bolsonaro só preveem distanciamento de apenas 1 metro entre um trabalhador e outro e ignoram de propósito qual distância entre os trabalhadores em locais de uso coletivo, como ônibus, fretados, refeitórios, vestiários.

As portarias também deixam à própria sorte os trabalhadores com doenças graves, ao mudar os critérios do que se considera "grupo de risco". Leia mais aqui.