NOTA OFICIAL – FETQUIM
Contra a perseguição política e o ataque à organização sindical na BAYER de São José dos Campos
A Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT no Estado de São Paulo (FETQUIM-CUT) vem a público denunciar e repudiar a demissão arbitrária do trabalhador e dirigente sindical Cristian Denis da Cunha, diretor do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e Região, ocorrida na manhã do dia 16 de março de 2026, na unidade da Bayer, em São José dos Campos.
A dispensa do companheiro Cristian não é um fato isolado. Trata-se de um ataque brutal contra a organização sindical, contra o Sindicato e contra toda a classe trabalhadora, motivado claramente por perseguição política e pela atuação firme do dirigente na defesa dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores da unidade.
A empresa sequer respeitou os procedimentos mínimos exigidos pela legislação. Não houve qualquer comunicado formal por escrito, e o trabalhador teve seu crachá retirado de forma sumária, sendo escoltado até a porta da empresa e impedido de se comunicar com seus colegas ou convocar os trabalhadores para reagir a essa arbitrariedade. Sob pressão, ainda tentaram coagi-lo a assinar uma demissão ilegal e injustificada.
A demissão é ilegal e inconstitucional. O companheiro Cristian possui estabilidade garantida pela legislação trabalhista por exercer mandato sindical e atuação na CIPA, além de representar uma prática claramente antissindical, ao tentar intimidar e silenciar quem defende os direitos dos trabalhadores. A empresa também descumpriu o dever de comunicação ao Sindicato antes de qualquer medida disciplinar, ferindo princípios básicos da Constituição Federal e da liberdade de organização sindical.
Infelizmente, esta não é a primeira vez que a empresa age dessa forma. A unidade de São José dos Campos, ainda sob o controle da antiga Monsanto, já demonstrou seu histórico de repressão ao movimento sindical. Em 1995, durante uma greve de oito dias na Campanha Salarial, a empresa chegou ao absurdo de transportar chefes e fura-greves de helicóptero para tentar quebrar a mobilização. Após o encerramento da greve e a assinatura do Acordo Coletivo, um dirigente sindical foi demitido em clara retaliação.
Décadas depois, a postura da empresa continua marcada por desrespeito aos trabalhadores. A unidade de São José dos Campos segue pagando benefícios inferiores aos praticados em outras plantas da própria empresa, como Belford Roxo (RJ) e Camaçari (BA). Entre as diferenças estão a ausência de pagamento de adicional de turnos rotativos e um ticket alimentação inferior ao oferecido em outras fábricas do grupo.
A FETQUIM-CUT reafirma que não aceitará práticas de perseguição política, coação e assédio moral contra trabalhadores e dirigentes sindicais. A tentativa de intimidar quem luta por direitos representa um ataque direto à democracia no local de trabalho.
Diante dessa grave violação de direitos, exigimos da BAYER:
A imediata reintegração do diretor sindical Cristian Denis da Cunha
O respeito à organização sindical e ao direito de representação dos trabalhadores
O fim das práticas de coação e assédio moral na unidade de São José dos Campos
O pagamento de todos os direitos das trabalhadoras e trabalhadores
A FETQUIM-CUT seguirá ao lado do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e Região e de toda a companheirada da fábrica para garantir justiça, defender os direitos da categoria e enfrentar qualquer tentativa de ataque à organização da classe trabalhadora.
BAYER: BASTA DE COAÇÃO E ASSÉDIO MORAL!
RESPEITO ÀS TRABALHADORAS E AOS TRABALHADORES!
REINTEGRAÇÃO IMEDIATA DE CRISTIAN DENIS DA CUNHA!