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21 de Março de 2025

Herval Pina Ribeiro, presente!


Escrito por: Fundacentro


Fundacentro

O médico Herval Pina Ribeiro, que dedicou sua vida profissional à Saúde do Trabalhador e ao Sistema Único de Saúde (SUS), faleceu na madrugada de 19 de março de 2025, aos 93 anos. No setor químico, teve um papel fundamental no Sindicato dos Químicos do ABC, oferecendo suporte técnico e político na luta por Saúde e Segurança do Trabalho.

Entre as diversas obras que produziu, estão “Do que adoecem e morrem os trabalhadores” (1984), “Gritos e silêncios: degradação do trabalho e estados de saúde da voz” (2013), “Do que adoecem e morrem os trabalhadores na Era dos Monopólios: 1980-2014" (2015) e “Do que adoecem e morrem os trabalhadores na Era dos Monopólios: 1889-2016" (2017). Essas duas últimas obras contaram com oficinas na Fundacentro para a produção.   

Ao longo da vida, o médico participou de diversos eventos e discussões na instituição. A Fundacentro realizou homenagem a Herval Pina no Seminário 60 anos da Ditadura Militar: explosão de acidentes e as resistências na área de segurança e saúde no trabalho em novembro de 2024, disponível no canal da instituição no YouTube. Na época, ele doou exemplares de alguns de seus livros para a instituição distribuir em atividades. 

História 

Em conjunto com o movimento dos trabalhadores, Pina organizou o Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat) em 1979. A ação visava à saúde e segurança dos trabalhadores, fazendo resistência à ditadura militar e à alta acidentalidade relacionada ao trabalho. Participou ainda de várias entidades médicas pela democratização do país e atuou pela Reforma Sanitária, na Constituinte de 1986 a 1988 e na criação do Sistema Único da Saúde (SUS).  

O médico apoiou várias lutas do movimento sindical no novo sindicalismo e trabalhou no antigo Inamps. Organizou uma das primeiras Semanas de Saúde do Trabalhador (Semsat), que tratou do problema da silicose, doença pulmonar que vitimava vários trabalhadores na indústria cerâmica. Na área química, atuou junto aos Químicos do ABC.  

Também ajudou na formação do 1º programa de saúde do trabalhador no ABC, que deu suporte há várias lutas na modificação das condições de trabalho nos anos 1980. No mesmo período, apoiou a luta contra o chumbo em prol da modificação das condições de trabalho e da exigência para trabalhadores receberem os resultados de exames médicos. 

A dedicação à pesquisa e aos estudos foi outro marco de sua carreira. Em 1997, concluiu o doutorado em Saúde Pública na Universidade de São Paulo (USP), onde atuou como docente de 1992 a 2004. A partir de 2005, passou a ser pesquisador e docente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)