Todos os olhos na rede: Os sindicatos estão adaptados à era digital?
Todos os olhos na rede: Os sindicatos estão adaptados à era digital?

Como os sindicatos podem fazer para que suas ideias cheguem até o público que todos os dias é bombardeado de informações via whatsapp, facebook ou youtube?



Antes de iniciar a leitura desse texto, sugiro que faça um teste. Caso esteja em um ambiente com mais pessoas, observe ao seu redor e tente contar quantas estão nesse momento com o olhar fixo em uma tela de celular, quantas estão mantendo o aparelho entre as mãos ou mesmo conectadas a ele por meio de um fone de ouvido? Podemos fazer esse exercício enquanto caminhamos pela rua, na sala de espera de um consultório ou dentro do transporte público e a conclusão é quase sempre a mesma: Olhos e mentes conectados, interagindo à distância e focados no conteúdo infinito que a tela de um celular pode oferecer.


 


O fato é que a sociedade mudou e para ser visto, ouvido e levado em consideração nos dias atuais é preciso estar presente no mundo virtual, porque a velocidade e facilidade de acesso fez com que a internet se tornasse a principal forma de lazer, interação e informação de uma quantidade grande de pessoas. Pessoas estas que fazem parte da classe trabalhadora e das novas gerações que chegam ao mercado de trabalho agora.


 


É nesse ponto que proponho pensarmos: Como os sindicatos podem fazer para que suas ideias cheguem até esse público, que todos os dias é bombardeado de informações via whatsapp, facebook ou youtube? 


 


As ações políticas e as mobilizações necessárias no dia a dia dos sindicatos dependem do entendimento dos trabalhadores e do quanto absorvem daquilo que é comunicado pelo sindicato. Se a informação não chega, a luta não acontece. O trabalhador que não entende que pode ficar sem aposentadoria, caso a proposta do Bolsonaro seja aprovada, não vai às ruas para lutar contra. O trabalhador que não fica sabendo dos direitos que perdeu após a reforma trabalhista não vai se associar ao sindicato.


 


É por todas essas questões que a militância e o meio sindical precisam andar ao lado da sociedade e se adaptar às novas formas e meios de comunicação. O grande músico e compositor Milton Nascimento certa vez escreveu essas palavras: “Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão, todo artista tem de ir aonde o povo está”. Pois eu pego essa frase emprestada e reescrevo: O sindicalista deve estar aonde o povo está e, nesse momento, o povo está na internet.


 


A missão não é fácil, pois é preciso assimilar uma nova forma de falar e também de ouvir. Nos acostumamos a um modelo de comunicação no qual o emissor oficial fala e o público escuta. Atualmente, todas as pessoas têm voz e querem falar, mas poucas têm paciência para ouvir.


 


Precisamos dominar uma linguagem mais curta e objetiva; aprender a manusear bem as câmeras dos celulares, cada vez mais potentes; incentivar a formação das lideranças sindicais para conhecer as diferentes redes sociais que existem; valorizar os profissionais de comunicação que trabalham nos sindicatos e, finalmente, oferecer informações úteis, verdadeiras e claras ao público.


 


Enfim, a lista de tarefas é grande, mas a consciência de que é preciso evoluir e se adaptar ao novo mundo é o primeiro passo. Vamos à luta!



 


Nilza Pereira
Secretária de Comunicação da Fetquim/Intersindical

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