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18 de Julho de 2018

Rede BASF fortalece o trabalho dos sindicatos nas plantas


Escrito por: Fetquim


Fetquim

A rede de trabalhadores BASF na América do Sul completa 19 anos em julho. Atualmente, principalmente após a reforma trabalhista no Brasil, a rede passou a ser vista como uma importante ferramenta para fortalecer o trabalho dos sindicatos e pode servir de exemplo para a organização de trabalhadores junto a outras empresas multinacionais.

“Aqui na rede BASF não fazemos uma negociação específica sobre cada uma das plantas. O objetivo é criar uma compreensão comum e os parâmetros gerais da BASF para todos os países. As demais lutas têm que ser feitas pelos sindicatos locais. Esta rede é uma oportunidade para fortalecer o trabalho dos sindicatos nas plantas”, explica secretário-geral adjunto de IndustriALL Global Union, Kemal Özkan.

Histórico

A construção da rede BASF, 19 anos atrás, foi inspirada no comprometimento que a BASF firmou em 1995, chamado “Euro-Dialog”, garantindo representação de empregados nas unidades européias. Desta forma, a ICEM (Federação Internacional dos Trabalhadores da Indústria Química, de Energia e Mineração, que posteriormente incorporou metalúrgicos e têxteis, transformando-se na industriALL Global Union) levou adiante a proposta de se criar uma rede na América do Sul.

Sergio Novais, trabalhador BASF e um dos criadores da rede BASF no Brasil e na América do Sul, conta que não foram tempos fáceis. “Sempre houve uma confusão de entendimento até onde a rede de trabalhadores pode chegar e o sindicato. No início algumas pessoas no Brasil diziam “isso é conciliação de classe” e questionavam o que era o diálogo social. A rede de trabalhadores é dos trabalhadores. O diálogo social, aí sim, é entre a rede com a empresa. Ter a rede não significa ter um pacto com a empresa”, esclarece.

Comissões de Fábrica

“Ter comissões de fábrica em todas as localidades foi uma tremenda conquista. Porque em São Bernardo, onde começamos, foi na porrada. Fizemos greve e conquistamos a comissão. Isso foi no começo nos anos 90. Comissão de Fábrica na cabeça dos empresários foi algo que eles tiveram que engolir. Em Camaçari (BA), as outras empresas do pólo petroquímico foram pressionar a Basf quando implantamos a Comissão”, lembra Novais.

No Brasil, a criação da primeira Comissão de Fábrica em uma unidade da BASF data do início dos anos 90. Em 2002, a rede ganhou mais força, depois que os trabalhadores se cansaram de reuniões formais sem muita consistência e conseguiram estabelecer diretrizes e parâmetros para o trabalho.

A rede BASF na América do Sul foi importante para a constituição da rede BASF na Ásia e atualmente já discute com a direção da empresa políticas, práticas trabalhistas, e particularmente pontos específicos, como os impactos da indústria 4.0 e como será a produção e o emprego no futuro.

Desafios

Sinisha Horvat, representante dos trabalhadores no conselho de administração da BASF, relata que na Alemanha as Comissões de Fábrica já discutem a transição, os desafios e a preparação e para esta nova revolução industrial, que afeta o modo de produção, o mundo do trabalho, a organização dos trabalhadores e a vida em sociedade.

Para Airton Cano, coordenador político da Fetquim, hoje a empresa reconhece a importância da rede. "No relatório anual da Basf de 2017 a empresa cita a América do Sul como referência em redes mundiais de trabalhadores. O diálogo ampliado (feito com a empresa) ocorre a cada dois anos e por aqui já ajudou a planificar políticas, salários, direitos e benefícios. Tem diretriz assinada que garante o encontro. A BASF finalmente reconheceu a importância da rede”.