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10 de Junho de 2016

Desafios sindicais para enfrentar o desemprego


Escrito por: Clemente Ganz Lúcio


Clemente Ganz Lúcio

 

O desemprego continua crescendo e atingindo milhões de pessoas. Não há nenhum sinal de que o problema será revertido em curto prazo. Ao contrário, serão necessárias ações enérgicas para a retomada do crescimento econômico e a geração de empregos.

Para discutir o problema, o DIEESE organizou recentemente, a pedido das Centrais Sindicais (CUT, CSB, CTB, Força Sindical, NCST e UGT), o seminário Enfrentando o desemprego - desafios da luta sindical, com o objetivo de debater propostas de atuação diante do cenário. Depois de uma década (2004 – 2014) em que a taxa de ocupação cresceu de maneira continuada, o desemprego declinou, a informalidade diminuiu, os salários aumentaram, os jovens deixaram o mercado de trabalho, optando pelo investimento em educação, e houve queda da desigualdade entre homens e mulheres, a situação mudou radicalmente. Nos primeiros meses deste ano, o desemprego atingiu mais de 11% (era 7,9% no mesmo período de 2015), o que significa um contingente de mais de 11 milhões de trabalhadores na condição de desempregados. A conjuntura é complicada, como mostra o Boletim Emprego em Pauta, lançado pelo DIEESE no evento e disponível no site da entidade (www.dieese.org.br).

Chama atenção o ritmo de crescimento do desemprego, resultado da combinação do fechamento de postos de trabalho e da chegada de novas pessoas ao mercado de trabalho, as quais não encontram oportunidade de ocupação. Isso ocorre porque a economia está desmobilizando a capacidade de produzir bens e serviços. E por que isso ocorre? Porque o consumo das famílias, do governo, das empresas e organizações, e as exportações, em conjunto, vêm diminuindo. Quando o consumo diminui, a produção cai, o que gera desemprego, formando um círculo destrutivo. As duas excelentes exposições que tratam dessas questões, apresentadas no seminário, estão disponíveis no Youtube: http://www.dieese.org.br/evento/2016/seminarioDesemprego2.html

Há uma longa luta para reverter essa dinâmica, no sentido de mudar o comportamento dos agentes econômicos de corte do consumo e do investimento.  Ao mesmo tempo, é preciso ter claro que o atual ambiente – recessão e desemprego - é favorável: à redução dos salários pela rotatividade, à precarização e ao aumento da informalidade, à pressão para flexibilizar direitos, entre tantas outras mazelas que o movimento sindical conhece tão bem.

Por isso, entidades e participantes presentes no evento indicaram ao DIEESE e às Centrais Sindicais que é urgente dar continuidade ao trabalho de articular e apoiar o movimento sindical para que ele atue em regiões e setores de atividade em três frentes:

  1.     Atuar para a retomada do crescimento econômico;
  2.     Atuar para que as políticas públicas de emprego deem suporte ao enfrentamento do problema, aumentando o número de parcelas do seguro-desemprego, melhorando o serviço de intermediação, ofertando microcrédito, apoiando as inciativas da economia solidária e popular, ofertando auxílio transporte para os desempregados, entre outros;
  3.     Atuar para viabilizar a criação de ocupações de interesse público, voltadas para atividades de interesse comunitário e para gerar renda aos desempregados (saúde, educação, cultura, obras públicas etc.).

Essa luta exigirá muita unidade do movimento sindical para sustentar uma enorme capacidade mobilizadora e criatividade propositiva. Deve-se ter claro o fundamental e essencial papel do Estado. Cabe ao governo a ousadia de propor uma estratégia e um caminho para sairmos dessa crise, pois somente ele tem capacidade política e econômica de mobilizar uma agenda anticíclica que articule e comprometa os agentes econômicos com a retomada do crescimento.