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01 de Junho de 2021

Bayer tira Round Up do mercado nos EUA por causa de indenizações milionárias


Escrito por: Fetquim


Fetquim

No Financial Times, o CEO da Bayer, Werner Baumann, anunciou na última semana de maio que a empresa vai  retirar o ROUNDUP (glifosato) da comercialização residencial nos Estados Unidos. A retirada do produto  se dá no momento em que a Bayer, compradora da Monsanto por US$ 63 bilhões, tem perdido milhares de ações de consumidores que acusam  a multinacional alemã em provocar câncer com a utilização do produto. No entanto, a Bayer diz que continuará a distribuir o produto no meio agrícola.  

Só nos meses de janeiro a março de 2021, a Bayer teve de pagar mais de R$14 bilhões em indenizações provenientes de125 mil processos na justiça, principalmente nos Estados Unidos, onde são pleiteados mais de R$ 50 bilhões.

Tanto a OMS (Organização Mundial de Saúde) , como pesquisadores da USP ( Universidade de São Paulo) consideram o produto como provável agente causador de câncer, segundo a Assessoria de Saúde e Previdência da Fetquim.

Fetquim é contra agrotóxicos cancerígenos e exige proteção cada vez maior dos trabalhadores

São históricas as lutas em defesa da saúde e contra as contaminações de produtos cancerígenos na categoria química. Nos Químicos do  ABC,  nos anos de 1980 e 1990, várias greves ocorreram para exigir proteção e mudança de produtos para menos perigosos e cancerígenos, como foi o Caso da Ferroenamel, Matarazzo, Solvay entre outras empresas. Também ao mesmo tempo os Químicos de SP tiveram uma luta importante na antiga Nitroquímica. O caso mais recente de luta contra contaminações ocorreu na BASF/SHELL em Paulínia, entre o Sindicato  dos Químicos Unificados de Campinas,  sendo que a empresa teve de pagar milionárias indenizações aos trabalhadores por decisão da justiça em 2013.

 Airton Cano, coordenador da Fetquim-CUT,  lembra que "os químicos no estado de São Paulo têm mais de 30% de cláusulas na convenção coletiva, fruto das lutas da categoria nos últimos 40 anos, que garantem cuidados com a saúde do trabalhador". “ Infelizmente, este desgoverno que é responsável pelas mortes  da Covid, também liberou um grande número de agrotóxicos que são proibidos em muitas partes do mundo, um verdadeiro atentado à nossa saúde. Continuaremos exigindo produtos seguros sem o risco de termos câncer.”

Para André Alves, secretário de Saúde da Fetquim, a Bayer está sendo obrigada a suspender a venda do glifosato nos EUA para não perder mais dinheiro devido as indenizações.

"Aqui no Brasil é indiscriminado o uso de agrotóxicos na agricultura, sem nenhum cuidado, com bombonas inadequadas, pulverização atingindo agricultores a toda hora, devido o uso  dos mais diversos tipos de agrotóxicos perigosos”, diz ele. 

"A Bayer deve sim indenizar os clientes que sofreram câncer, pois aqui no Brasil em 2013 em Paulínia conseguimos que a BASF/SHELL pagasse elevadas indenizações aos trabalhadores contaminados e ao mesmo tempo foi garantida a assistência médica para os trabalhadores até o final da vida. Reembolsam inclusive o valor de medicamentos importados para tratamento de câncer.”   André ressalta também, que deve ser redobrado o cuidado com qualquer produto composto de glifosato, pois são suspeitos de provocarem câncer em seres humanos.

Fonte: Financial Time/Valor Econômico – 28/05/21. Direção da Fetquim./assessoria de Saúde e Previdência da Fetquim.