Voltar
04 de Abril de 2019

1º Prêmio A Vida Acima do Lucro será lançado dia 08/04


Escrito por: Químicos Unificados


Químicos Unificados

O Sindicato Químicos Unificados e Livres – Rede de Produtos do Bem lançam o Prêmio “A Vida Acima do Lucro” no próximo dia 08/04, a partir das 18h30, no auditório do Sindicato Químicos Unificados (Av. Barão de Itapura, 2022 – Guanabara, Campinas). A iniciativa tem como objetivo destacar trabalhadores, educadores, pesquisadores, militantes de movimentos sociais que se dedicam a proteger a vida e impedir que os interesses econômicos se sobreponham a ela.

O prêmio será anual e entregue em solenidade, sempre no dia 8 de abril, data histórica para o Sindicato Químicos Unificados e ex-trabalhadores Shell/Basf. Neste dia, há seis anos, encerrou-se no Tribunal Superior do Trabalho (TST) uma batalha judicial de 12 anos, na qual um grupo de trabalhadores junto com o Sindicato conseguiu derrotar as gigantes multinacionais ao provar que elas colocaram o lucro acima das vidas, contaminando solo, água e trabalhadores da planta industrial localizada no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia.

Homenageados

Nesta primeira edição, receberão o Prêmio A Vida Acima do Lucro: Antonio de Marco Rasteiro (ex-trabalhador Shell/Basf / Atesq atuou diretamente na luta para que Shell/Basf fossem condenadas pela contaminação causada aos trabalhadores e meio ambiente em Paulínia), Marcos Sabino (médico do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador contribuiu ativamente para atestar que os ex-trabalhadores Shell/Basf foram vítimas de contaminação), Fernanda Giannasi (auditora fiscal do trabalho lutou para que o comércio e uso do cancerígeno amianto fosse definitivamente banido do Brasil), Ubiratã de Souza Dias ( coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens pela luta em Minas Gerais contra a mineradora Vale e outras mineradoras que ameaçam as populações com rompimentos de barragens e contaminações).

“Destacar iniciativas de pessoas que, assim como nós, lutam para que a vida esteja acima do lucro é essencial, especialmente no contexto em que o governo federal comete verdadeiros atentados à vida ao liberar a entrada de agrotóxicos no Brasil, flexibilizar leis de proteção ambiental e tentativas de criminalizar aqueles que lutam em defesa de uma vida melhor aos brasileiros e brasileiras”, afirma Arlei Medeiros que atuou como dirigente sindical durante a luta contra Shell/Basf e hoje está à frente da Rede Livres.

Além da entrega da premiação, a atividade marca o relançamento do filme O Lucro Acima da Vida que a partir de agora está disponível nas plataformas online de distribuição. O filme dirigido por Nic Nilson é um drama ficcional baseado na história real de luta dos ex-trabalhadores Shell/Basf e tem no elenco atores como João Vitti, Déo Garcez, Denis Derkian, Celso Batista, Zezé Motta, Ailton Graça e Mateus Carrieri.

O filme está disponível no canal da TV Movimento no Youtube no link: https://youtu.be/6LcfwwcmeDA.

História

No dia 08 de abril de 2013, representantes do Sindicato Químicos Unificados e da Atesq (Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas) e representantes das multinacionais homologaram o acordo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), garantindo indenizações individuais aos 1.058 ex-trabalhadores, assistência médica vitalícia para eles e seus filhos (hoje são 1.122 pessoas indenizadas) e uma indenização por Danos Morais Coletivos no valor de R$ 200 milhões, cuja destinação dos recursos vem sendo dada pelo Ministério Público do Trabalho a entidades de saúde como Boldrini, Hospital do Câncer de Barretos (que construir a unidade de diagnósticos chamada de Hospital do Amor), entre outros.

A contaminação iniciou-se com a vinda da multinacional Shell para o Brasil na metade da década de 70. No ano de 1977, a Shell deu início à produção e manipulação dos pesticidas organoclorados (compostos por carbono e cloro, com ação cancerígena, que já tinham sido banidos de vários países) e organofosforados (compostos por carbono e fósforo, altamente tóxicos e fatais, ainda que na proporção de alguns miligramas). Em 2000, a fábrica foi vendida para a Basf, que a manteve ativada até o ano de 2002, quando houve interdição pelo Ministério do Trabalho e Emprego, após as denúncias apresentadas pelo Sindicato Químicos Unificados e Atesq. Segundo a Atesq, 80 pessoas morreram de doenças decorrentes da contaminação.

Após a condenação, luta continua!

Como a defesa da vida e saúde dos trabalhadores é prioridade para o Unificados, desde o fim do processo judicial, há seis anos, o sindicato vem investindo e apoiando as iniciativas que combatem o uso e a fabricação de agrotóxicos no Brasil. Uma delas é a criação da Rede Livres – Produtos do Bem, que mantém uma feira de produtos orgânicos aos sábados próximo à sede do sindicato e também uma loja de produtos orgânicos não perecíveis. Esta rede vem articulando produtores do sistema agroecológico e orgânico no estado de São Paulo, viabilizando o comércio de orgânicos sem atravessadores nas feiras e via vendas de cestas online com logística de distribuição a ser implantada neste ano. Além disso, anualmente o Sindicato Químicos Unificados e a Rede Livres promovem o Festival de Agroecologia e Ecoturismo, que neste ano ocorrerá nos dias 4 e 5 de outubro, em Valinhos.

Lançamento do Prêmio A Vida Acima do Lucro

08/04 às 18h30

Sindicato Químicos Unificados (Av. Barão de Itapura, 2022 – Guanabara – Campinas)